11 de maio de 2010

Na margem do Rio Piedra...


       ... eu sentei e chorei. Conta a lenda que tudo que cai nas águas deste rio - as folhas, os insetos, as penas das aves - se transforma nas pedras do seu leito. Ah, que dera eu pudesse arrancar o coração do meu peito e atira-lo na correnteza, e então não haveria mais dor, nem saudade, nem lembranças.                                                     Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei. O frio do inverno fez com que eu sentisse as lagrimas no rosto, e elas se misturaram com as águas geladas que correm diante de mim. Em algum lugar este rio se junta com outro, depois com outro, até que - distante dos meus olhos e do meu coração - todas essas águas se confundem com o mar.                                                                                                                                    Que minhas lagrimas corram assim para bem longe, para que meu amor nunca saiba que um dia chorei por ele. Que minhas lagrimas corram para bem longe, e então eu esquecerei o rio Piedra, o mosteiro, a igreja nos Pirineus, a Bruma, os caminhos que percorremos juntos.                                                                                      Eu esquecerei as estradas, as montanhas e os campos dos meus sonhos - sonhos que eram meus, e que eu não conhecia.


-Paulo Coelho.



Nenhum comentário:

Postar um comentário