6 de agosto de 2010

Quer saber de uma coisa? Acho que ainda é cedo. Enquanto ando, perco mais e mais o que eu já nem sei mais o que. Só sei que perco. Mas não posso terminar mais um dia sem amor, não posso. Pago o que for, pego a fila que for, encaro o que for. O lugar está cheio, as pessoas vazias. O lugar está quente, as pessoas frias. O lugar está insuportavel, mas as pessoas juram que são legais. Sugo ali, num cantinho qualquer acompanhada de qualquer pessoa, o que pode restar de bom na alma de alguem. Mas ela não quer saber de canudinhos, desentupidores de pia e suplicas por um final ao menos justo. Eu sou um saco com restos de pano preto, achocolatados, plantinhas e tinta vermelha. E ela quer apenas furar o saco, para que eu estoure para bem longe dali. Sem dar nenhum trabalho. As ruas não existem, não existe mais o que perder, não existe amor em lugar nenhum. Acho que finalmente está ficando tarde demais.

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