24 de agosto de 2010

por você, pra você.


“Como já disse, estou triste; e isso me faz acreditar no poder das cartas. Não falo de tarô, mas destas, escritas e mandadas ou não mandadas. Cheias de questões e metáforas, que assim, misturadas cuidadosamente, num cafona português polido, soam mais sensatas.
Só há uma coisa certa a respeito disso: não desejo resposta sua. É, esta é uma daquelas cartas que não são para ser respondidas. Apenas lidas, relidas, depois picadas em pedacinhos. Sendo esse o destino mais nobre para as emoções abandonadas.”



E depois de longos minutos ou até horas em silencio, entre seus olhares ocos paralisados em minha face, os meu abaixados em direção a um tênis novo que eu adorava, meus olhares singelos apaixonados, meramente transbordando de ardor e amor.
Você pegando um copo de cerveja qualquer, talvez pensando em coisas absurdas, enquanto eu ali, buscando refugio em copos de cuba e um celular na mão, procurando refugio nas palavras que estava postando em meu twitter. Enquanto milhares de pessoas que estavam ao redor, algumas preocupadas demais para perceberem que ali constava uma vida inteira, duas pessoas em uma mesa com mais cinco ou mais pessoas, eu e você, ninguém notava isso, estavam fechadas em si próprios, enquanto outros achavam que era uma mera pegação, e agitavam as coisas para nós, coitados eles nunca amaram, eles não podem saber o que se passa ali na frente deles, dentro de mim, talvez um pouco em voce, naquele momento não sabia de mais nada.
Eu estava fechada demais, fechada ate para mim mesma, enquanto viajava em meus pensamentos, você toca meu pé, eu não escuto nada, pouco faz sentido, agora penso, e se eu tivesse dado um toquinho com pé também, teríamos rido uma da outra, e no fim estaríamos uma no braço da outra. Mas não foi assim, eu sou agressiva e tal, mas não faço por mal, voce não me entende bem sabe? Acho que deveria saber que aquilo tudo foi uma forma de dizer, -olha eu estou aqui, eu te amo, mas não queria sofrer, será que da pra largar esse copo, e pegar na minha mão, me levar para um banco onde eu possa dizer tudo outra vez? Não você não poderia entender, até saiu ofendida com o que nem disse.
Eu querendo atos de carinho e você jogando seu braço junto ao meu e me arrastando, não gostei daquilo, sabe porque? Porque tive medo que você tocasse meu corpo, e atingisse minha alma, eu sabia que aquilo era coisa de momento, que quando chegasse em casa, você ligaria para a outra e perguntaria se tava tudo bem, fariam juras de amor, como eu sei que fazem, você desligaria o telefone, pensaria um pouco em mim, e no outro dia teria sua vida de “namorando” e eu seria lembrada nas suas horas de dormir, eu sei que é assim. Mas não quero aceitar isso.
Me lembro com um sorriso torto, e com a cabeça arqueada para o lado, tentando bloquear as imagens que se desenrrolavam na minha cabeça, mas eu lembro como você dizia que me amava, e como eu acreditava, como você dizia sempre “sonhei com você *-*” e sempre acabava me contando, como nas vezes que eu sofria com ciúmes retrospectivo, morria quando você contava das suas aventuras amorosas, nas vezes que eu te via atraves de uma câmera via MSN, e voce sorria do nada, como na vezes que fiquei de cara porque você me contava das suas ex garotas que tiveram mais de sua pele, seu sexo, do que eu. Quando pegava o telefone e gargalhava, ah como eu amava aquilo, escrevendo aqui ate me lembrei de tudo isso, mas depois, me sobram lembranças, sofrimentos, e por vários meses, choros e mais choros. Não sou forte, nunca fui, mas posso me fazer de forte para você, a partir de agora, ta tudo bem pra você? Espero que sim.
Brigávamos por coisas bestas, e olha que nem chegamos a namorar, nem seu toque eu tive, mas tive mais que isso, eu pude sentir sua alma, e sei que não precisou de tudo isso que você tem agora, pra se tornar especial, sei que fui especial na sua vida, alias, espero que tenha sido mesmo.
Lembro-me agora da vez que você contou para seu pai de mim, você disse que eu era especial, mas eu queria ser sua mulher, queria mesmo, não nego não. Eu adoro seu pai, acho uma pessoa incrível, tem sorte pela vida que tem, eu te amo tanto tanto que não consigo mais te amar. Até te pedi em casamento lembra? Eu queria que isso se realizasse, mas agora a única coisa que se passa na minha mente é essa “case com outra que eu te esperarei sorrindo falsamente na porta, te verei entrar radiante, casando com aquela garota que eu não suporto mesmo, não a suporto por ter o seu amor, porque como as crianças dizem “ eu te vi primeiro” eu te amei primeiro, meu primeiro amor, a primeira mulher especial, mas do que adiantou? Eu digo pra você, adiantou pra eu tomar vergonha na cara e escutar as pessoas e ate você dizendo “ aquela vez que você sumiu, eu encontrei a “” e ela me deu a força que eu precisava, e me da até hoje.” E dos seus amiguinhos fui obrigada a escutar “ por que você sumiu, SUMIU”, até quando vou ter que pagar o preço por ter te “abandonado” mesmo sem ter realmente feito isso? Ate quando você me culpará por isso?
Não, mas você não me culpa não é? Só usa essa frase como desculpa por ter arrumado um outro alguém, por ter ocupado um lugar que era meu.
Ainda tem a sacanagem de dizer “podemos ser amigas” eu ODEIO a idéia que você tem sobre isso, cara você consegue ser tão tão, você nunca me tratou como tal, e teve a coragem de dizer “ quis ser tua amiga, mas você parece não ter aceitado a idéia direito” porra, você nunca me tratou como tal, eu que sempre sou a dona dos erros, alias dos teus erros, teus.
Se tem uma coisa, que fica encucando na cabeça é isso “se eu terminar com minha namorada, eu vou atrás de você, talvez você não queria, eu vou sofrer e tal, mas fazer o que” acho que você não merece uma resposta sobre isso, definitivamente isso acaba comigo, de verdade.
Antes de dormir eu até posso me lembrar das flores de cemitério que você me deu, e eu joguei no chão que um homem pisou, eu admiro aquele homem, talvez ele saiba que esse amor precisava ser pisoteado para aprender a ser menos. Aquele vinho que caiu em minha calça, e vendo você me olhando com aqueles olhos ocos do começo da historia, os mesmos, não sei se tristes ou ocos, sem simplesmente nada por dentro. O tapinha que te dei no braço esquerdo, aquilo foi uma forma que encontrei de eternizar e encerrar aquele momento.
O não, o não dos milhares de sim que você já teve em sua vida, eu dando um simples e doloroso não pra mim, pra você. Foi um não, não agora e depois. O fim e o não andam juntos nessa historia.
Se um dia ainda ficaremos juntas? Não sei, e nem quero pensar nisso, por que eu só penso em você quando vou dormir, fico imaginando uma maneira de escrever esse texto, mas eu já escrevi, já esta no fim, o amor esta deixando de ser mais, para se tornar um texto grande, pra você ler e ver se entende suas manias, erros, amores, seu sim e seu não. Ainda não esta na hora de dormir. Mas deixarei você em paz.
Vou te ver quando casar, até lá um beijo e ate mais.

PS: Coloque um belo vestido e entre sorrindo, por que a pessoa que você encontrara a frente vai ser a garota que passará o resto de sua vida. Vá de branco, e com os cabelos lisos, eu amo seu cabelo liso, já te disse isso, não? mas não importa mesmo, talvez outra pessoa esteja te esperando agora, talvez não leia. Te amei mais, agora é menos, pra nunca deixar de ser amor.
                                        p honorio

Nenhum comentário:

Postar um comentário