Eu te engoli e você é tao grande para mim que eu dedico cada segundo do meu dia em te digerir. E eu não tenho mais fome, e eu tenho que ter fome porque eu nao quero voce namorando uma magrela. E eu sonhei com você e acordei com você, e eu te olhei e falei que eu estava muito magrela, e você me mandou dormir mais, e me abraçou. Eu preciso disfarçar que nao paro mais de rir, mas ai olho pra voce e voce tambem esta sempre rindo. Se isso nao for o motivo para a gente nascer, já nao entendo mais nada desse mundo. E eu tento, ainda refem de algumas celulas que vez ou outra me invadem, tentar achar defeito na gente, tentar estragar tudo com alguma sujeira. Mas voce me deu preguiça da velha tatica de fuga, voce me fez dormir um cd inteiro na rede e quando eu acordei o mundo inteiro estava azul.
Engraçado como eu nao sei dizer o que eu quero fazer porque nada me parece mais divertido do que simplesmente estar fazendo. Ainda que a gente nao esteja fazendo nada.
Eu, que sempre quis desfilar com a minha alegria para provar ao mundo que eu era feliz, só quero me esconder de tudo ao seu lado.
Eu limpei minhas mensagens, eu deletei meus emails, eu matei meus recados, eu estrangulei minhas esperas, eu arregacei as minhas mangas e deixei morrer quem estava embaixo delas. Eu risquei de vez as opçoes do meu caderninho, eu espremi a agua escura do meu coração e ele se inchou de ar limpo, como uma esponja. Uma esponja rosa porque voce me transformou numa menina cor de rosa.
Voce me transformou no eufemismo de mim mesma, me fez sentir a menina com uma flor daquele poema, suavizou meu soco, amoleceu minha marcha e transformou minha dureza em dança. Voce quebrou minhas pernas, me fez comprar um vestido cheio de rendas e babados, tirou as pedras da minha mão.
Voce diz que me quer com todas as minhas virgulas, e eu te quero como meu ponto final.
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